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Date de création : 07/06/21 Dernière mise à jour : 10/08/14 22:20 / 735 articles publiés
Sábado, 16 de Junho de 2007 Mulher acusa Hospital do Montijo
de negligência Aos 34 anos, Irene Sabino viu a sua vida mudar
radicalmente em três dias. De uma dor na zona abdominal
passou para um quadro clínico que obrigou à
amputação de todos os seus membros. Hoje quando
revê os acontecimentos não tem dúvidas em
acusar o hospital de negligência médica. “No dia
31 de Outubro de 2005, dirigi-me ao Hospital do Montijo com uma dor
na zona do abdómen. Quando fui atendida apenas tirei
análises e nem sequer foi feita a habitual
apalpação abdominal. Foi-me diagnosticada uma
infecção num ovário e o médico
aconselhou-me a ir ao ginecologista”, conta. Como no dia 1 de
Novembro era feriado, Irene Sabino ficou em casa, mas os sintomas
foram se agravando. No dia seguinte, recorreu ao médico de
família que lhe terá passado uma carta com o
rótulo de urgência para ser entregue ao
cirurgião do Hospital do Montijo.´“Cheguei ao
hospital por volta das 11h30, já com muitas dores. Apesar da
carta, só fui atendida depois das 15 horas. Voltei a fazer
análises, mas os técnicos tiveram uma dificuldade
enorme para tirarem o sangue. Fui colocada a soro e às 20
horas fui vista pela cirurgiã e informada que teria que
ficar internada”, explica. Irene diz que nunca lhe disseram
qual era o seu problema, nem a verdadeira gravidade do seu estado,
ao ponto de ter assinado um termo de responsabilidade para sair do
hospital. Acabou mesmo por ficar internada porque uma das
médicas de serviço não autorizou a sua
saída. Às 23 horas desloca-se ao Hospital Nª
Sra. do Rosário, no Barreiro, para realizar uma ecografia
regressando uma hora e meia depois ao Montijo, num estado cada vez
mais debilitado. “Quando cheguei ao hospital do Montijo
começaram a ligar-me a diversas máquinas. Contaram-me
que às 2 horas da manhã a minha
situação piorou muito. Recordo-me de dizer às
enfermeiras que não sentia os pés e que estava
gelada. Comecei a aperceber-me de que o pessoal de serviço
estava a tentar transferir-me para outro hospital, o que veio a
acontecer por volta das 4 horas”, recorda. Irene Sabino acaba
por ser transferida para o Hospital de S. José, em Lisboa,
onde viria a ser submetida a uma cirurgia abdominal, pelas 14 horas
do dia 3 de Novembro, onde detectaram pelvipentonite
(inflamação pélvica) e pus numa trompa. No
entanto, o choque séptico já estava numa fase muito
avançada e disseminou-se por grande parte do organismo,
originando a falência da quase totalidade dos
órgãos. “Segundo aquilo que me contaram, ainda
acordei da primeira cirurgia, mas como manifestei muitas dores
acabaram por me colocar em sono induzido. Acordei 70 dias depois
sem os membros superiores e inferiores. O choque séptico
tinha provocado Púrpura Fulminante, que consiste na morte
das extremidades do corpo”, sublinha. Durante o
período em que Irene esteve inconsciente, Carlos Sabino
recorda que nunca lhe garantiram que a mulher iria sobreviver.
“Os médicos não me davam grandes
esperanças em relação à
sobrevivência da minha mulher. Tentavam travar a
infecção. A 10 de Dezembro amputaram-lhe as pernas e
oito dias mais tarde foi necessário amputar os membros
superiores. A infecção só começou a
regredir próximo do final desse mês”, lembra.
RecomeçarEmbora já não corresse perigo de
vida, o despertar para a sua nova realidade não foi um
período fácil para Irene. “Quando comecei a
acordar constatei logo que não tinha os braços, no
entanto, não tinha essa percepção em
relação aos membros inferiores. É muito
estranho, mas de facto sentia as pernas”, conta. Seguiu-se um
período em que teve que lidar com as dores físicas e
de alma. “Tive feridas nos membros inferiores até
Julho de 2006 e submeti-me a cirurgias de
reconstrução. No entanto, o que mais me custou foi
perceber que não podia fazer nada do que fazia antes e que
dependia muito de terceiros”, conta. Hoje, passado 20 meses
do trágico período, Irene reconhece que terá
muitas limitações para o resto da vida, mas luta para
encontrar alguma autonomia.“Eu tinha uma vida completamente
normal. Trabalhava, cuidava da casa e da minha filha. Agora nem
sequer posso cozinhar, mas aos poucos estou a tentar regressar ao
meu trabalho”, sublinha. Irene reconhece o “papel
exemplar” dos seus patrões. Acompanharam-na durante
todo o período, garantiram-lhe o que o seu posto de trabalho
estava salvaguardado, e incentivam-na a regressar aos poucos.
“Sou secretária de recursos humanos e faz-me bem ir
até ao meu local de trabalho e ver que não fui sequer
substituída. Existe até um projecto para
adaptação do local à minha nova
condição. A câmara também já fez
os acessos para que eu consiga deslocar-me até ao trabalho.
Por sorte o escritório fica relativamente perto da minha
casa e posso começar a integrar-me de novo”, explica.
No entanto, a integração de Irene tem o seu custo.
Para além do equipamento mais trivial neste tipo de
situação, como a cadeira de rodas eléctrica, a
família de Irene teve que investir cerca de 20 mil euros,
não comparticipados, na plataforma que a leva até ao
seu apartamento, localizado num segundo andar. QueixasIrene Sabino
não aceita o procedimento do Hospital do Montijo e já
apresentou o caso ao Ministério da Saúde, à
Ordem dos médicos e, na passada semana, uma queixa no
Ministério Público. “O relatório do
Hospital de São José diz que eu entrei naquele
hospital com um quadro clínico compatível com choque
séptico de três dias de evolução.
É só fazer as contas, que é fácil
concluir que na primeira ida ao hospital do Montijo eu já
estava em choque séptico”, sublinha. Irene vai mais
longe e acusa o hospital de se recusar a entregar os seus
relatórios médicos e de enfermagem. “Tenho
conhecimento que o Hospital do Montijo tem um procedimento
diferente daquele que tem tido comigo, quando outros doentes pedem
os relatórios médicos. Exigiram-me que nomeasse um
médico da minha confiança para receber os ditos
relatórios, só que os enviaram sob sigilo
médico, e eu continuo a não ter acesso a eles”,
conta. “O que me deixa mesmo muito frustrada é saber
que toda a minha situação resulta do facto de
não se terem dado ao trabalho de me fazerem um
diagnóstico sério. Este enorme problema poderia ter
sido resolvido, se atempadamente me tivessem colocado a soro e
administrado um antibiótico adequado”, conclui. O
Hospital do Montijo, contactado pelo MS, garantiu que irá
esclarecer o caso, embora não tivesse tido tempo de
responder de forma adequada até ao fecho desta
edição. Este artigo foi retirado da
edição online do Jornal MARGEM SUL.
http://www.margemsul.pt Postado por INVESTOR-ATHLETIC às
04:08 0 comentários Assinar: Postagens (Atom)
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IRENE-SABINO VICTIME NOSOCOMIALE -ORIGINE-PORTUGAISE
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