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IRENE-SABINO VICTIME NOSOCOMIALE -ORIGINE-PORTUGAISE  posté le jeudi 05 juillet 2007 17:03

Sábado, 16 de Junho de 2007 Mulher acusa Hospital do Montijo de negligência Aos 34 anos, Irene Sabino viu a sua vida mudar radicalmente em três dias. De uma dor na zona abdominal passou para um quadro clínico que obrigou à amputação de todos os seus membros. Hoje quando revê os acontecimentos não tem dúvidas em acusar o hospital de negligência médica. “No dia 31 de Outubro de 2005, dirigi-me ao Hospital do Montijo com uma dor na zona do abdómen. Quando fui atendida apenas tirei análises e nem sequer foi feita a habitual apalpação abdominal. Foi-me diagnosticada uma infecção num ovário e o médico aconselhou-me a ir ao ginecologista”, conta. Como no dia 1 de Novembro era feriado, Irene Sabino ficou em casa, mas os sintomas foram se agravando. No dia seguinte, recorreu ao médico de família que lhe terá passado uma carta com o rótulo de urgência para ser entregue ao cirurgião do Hospital do Montijo.´“Cheguei ao hospital por volta das 11h30, já com muitas dores. Apesar da carta, só fui atendida depois das 15 horas. Voltei a fazer análises, mas os técnicos tiveram uma dificuldade enorme para tirarem o sangue. Fui colocada a soro e às 20 horas fui vista pela cirurgiã e informada que teria que ficar internada”, explica. Irene diz que nunca lhe disseram qual era o seu problema, nem a verdadeira gravidade do seu estado, ao ponto de ter assinado um termo de responsabilidade para sair do hospital. Acabou mesmo por ficar internada porque uma das médicas de serviço não autorizou a sua saída. Às 23 horas desloca-se ao Hospital Nª Sra. do Rosário, no Barreiro, para realizar uma ecografia regressando uma hora e meia depois ao Montijo, num estado cada vez mais debilitado. “Quando cheguei ao hospital do Montijo começaram a ligar-me a diversas máquinas. Contaram-me que às 2 horas da manhã a minha situação piorou muito. Recordo-me de dizer às enfermeiras que não sentia os pés e que estava gelada. Comecei a aperceber-me de que o pessoal de serviço estava a tentar transferir-me para outro hospital, o que veio a acontecer por volta das 4 horas”, recorda. Irene Sabino acaba por ser transferida para o Hospital de S. José, em Lisboa, onde viria a ser submetida a uma cirurgia abdominal, pelas 14 horas do dia 3 de Novembro, onde detectaram pelvipentonite (inflamação pélvica) e pus numa trompa. No entanto, o choque séptico já estava numa fase muito avançada e disseminou-se por grande parte do organismo, originando a falência da quase totalidade dos órgãos. “Segundo aquilo que me contaram, ainda acordei da primeira cirurgia, mas como manifestei muitas dores acabaram por me colocar em sono induzido. Acordei 70 dias depois sem os membros superiores e inferiores. O choque séptico tinha provocado Púrpura Fulminante, que consiste na morte das extremidades do corpo”, sublinha. Durante o período em que Irene esteve inconsciente, Carlos Sabino recorda que nunca lhe garantiram que a mulher iria sobreviver. “Os médicos não me davam grandes esperanças em relação à sobrevivência da minha mulher. Tentavam travar a infecção. A 10 de Dezembro amputaram-lhe as pernas e oito dias mais tarde foi necessário amputar os membros superiores. A infecção só começou a regredir próximo do final desse mês”, lembra. RecomeçarEmbora já não corresse perigo de vida, o despertar para a sua nova realidade não foi um período fácil para Irene. “Quando comecei a acordar constatei logo que não tinha os braços, no entanto, não tinha essa percepção em relação aos membros inferiores. É muito estranho, mas de facto sentia as pernas”, conta. Seguiu-se um período em que teve que lidar com as dores físicas e de alma. “Tive feridas nos membros inferiores até Julho de 2006 e submeti-me a cirurgias de reconstrução. No entanto, o que mais me custou foi perceber que não podia fazer nada do que fazia antes e que dependia muito de terceiros”, conta. Hoje, passado 20 meses do trágico período, Irene reconhece que terá muitas limitações para o resto da vida, mas luta para encontrar alguma autonomia.“Eu tinha uma vida completamente normal. Trabalhava, cuidava da casa e da minha filha. Agora nem sequer posso cozinhar, mas aos poucos estou a tentar regressar ao meu trabalho”, sublinha. Irene reconhece o “papel exemplar” dos seus patrões. Acompanharam-na durante todo o período, garantiram-lhe o que o seu posto de trabalho estava salvaguardado, e incentivam-na a regressar aos poucos. “Sou secretária de recursos humanos e faz-me bem ir até ao meu local de trabalho e ver que não fui sequer substituída. Existe até um projecto para adaptação do local à minha nova condição. A câmara também já fez os acessos para que eu consiga deslocar-me até ao trabalho. Por sorte o escritório fica relativamente perto da minha casa e posso começar a integrar-me de novo”, explica. No entanto, a integração de Irene tem o seu custo. Para além do equipamento mais trivial neste tipo de situação, como a cadeira de rodas eléctrica, a família de Irene teve que investir cerca de 20 mil euros, não comparticipados, na plataforma que a leva até ao seu apartamento, localizado num segundo andar. QueixasIrene Sabino não aceita o procedimento do Hospital do Montijo e já apresentou o caso ao Ministério da Saúde, à Ordem dos médicos e, na passada semana, uma queixa no Ministério Público. “O relatório do Hospital de São José diz que eu entrei naquele hospital com um quadro clínico compatível com choque séptico de três dias de evolução. É só fazer as contas, que é fácil concluir que na primeira ida ao hospital do Montijo eu já estava em choque séptico”, sublinha. Irene vai mais longe e acusa o hospital de se recusar a entregar os seus relatórios médicos e de enfermagem. “Tenho conhecimento que o Hospital do Montijo tem um procedimento diferente daquele que tem tido comigo, quando outros doentes pedem os relatórios médicos. Exigiram-me que nomeasse um médico da minha confiança para receber os ditos relatórios, só que os enviaram sob sigilo médico, e eu continuo a não ter acesso a eles”, conta. “O que me deixa mesmo muito frustrada é saber que toda a minha situação resulta do facto de não se terem dado ao trabalho de me fazerem um diagnóstico sério. Este enorme problema poderia ter sido resolvido, se atempadamente me tivessem colocado a soro e administrado um antibiótico adequado”, conclui. O Hospital do Montijo, contactado pelo MS, garantiu que irá esclarecer o caso, embora não tivesse tido tempo de responder de forma adequada até ao fecho desta edição. Este artigo foi retirado da edição online do Jornal MARGEM SUL. http://www.margemsul.pt Postado por INVESTOR-ATHLETIC às 04:08 0 comentários Assinar: Postagens (Atom)
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